A colibacilose suína, associada à proliferação de Escherichia coli enterotoxigénica (ETEC) no período de pós-desmame e que resulta em episódios de diarreia ou morte súbita, é tradicionalmente tratada com antimicrobianos e óxido de zinco, mas o seu uso traduz-se num impacto negativo na saúde pública.
O período pós-desmame é uma fase crítica na vida dos suínos, uma vez que o sistema imunitário dos leitões nessa altura é ainda imaturo. A interrupção do aleitamento materno, associada à interrupção da ingestão de imunoglobulinas protetoras da mãe, aumenta a suscetibilidade dos leitões a infeções microbianas. A Diarreia Pós-Desmame (DPD) resulta de uma infeção denominada por colibacilose entérica, associada à proliferação de Escherichia coli enterotoxigénica (ETEC) no intestino dos leitões, resultando em episódios de diarreia ou morte súbita. A DPD é uma das ameaças mais graves para a suinocultura nacional e internacional, com episódios que atingem taxas de mortalidade de 20 a 30%. Uma vez que os suínos representam uma das maiores categorias pecuárias de Portugal e da União Europeia, as doenças associadas às ETECs resultam em custos significativos para a economia da indústria suinícola.
Estas doenças são tradicionalmente tratadas com antimicrobianos e óxido de zinco, situação que tem sido correlacionada com o aparecimento de infeções por E. coli resistente a antimicrobianos no Homem. Para além disso, o uso destas terapias conduz à contaminação das águas e dos solos, que por sua vez estão em contacto direto com os animais e o Homem. Concretamente, o óxido de zinco foi, recentemente, banido uma vez que grande parte do zinco é excretado pelas fezes dos suínos, acumulando-se nos solos e lençóis de água. A limitação no uso destas terapias afeta fortemente o controlo da DPD ameaçando a sustentabilidade das suinoculturas nacionais o que obrigatoriamente abre espaço para a introdução urgente no mercado agropecuário de novas estratégias de intervenção inovadoras que possam controlar as infeções por ETEC em suínos.
Autoria
Conceção da ideia: Joana Castro, Daniela Araújo, Ricardo Oliveira
Execução Gráfica: Maria Margarida Barros
Composição do texto: Joana Castro, Daniela Araújo
Revisão Científica: Sónia Silva, Carina Almeida
Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária
Ficha técnica
Todos os elementos são originais. Ilustração construída digitalmente, utilizando o Microsoft PowerPoint 2016. Este trabalho está associado ao projeto de investigação com referência PTDC/CVT-CVT/4620/2021.
Editado por Carla Novais, Cristina Pintado e Marta Laranjo.


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