Mas afinal existe vida no sal?

O sal é reconhecido como um conservante capaz de impedir a deterioração dos alimentos, contudo os ambientes salinos quando explorados adequadamente também podem ser uma fonte de novos e robustos “Super-Microrganismos” e “Super-Moléculas” com potencial aplicação em diversos setores industriais, contribuindo assim para uma economia mais sustentável.

O sal é parte integrante das nossas mesas como um condimento alimentar que permite realçar e intensificar o sabor das refeições. No entanto, a notoriedade do sal foi conquistada através dos nossos antepassados, sendo reconhecido como um importante conservante alimentar capaz de inibir o crescimento de microrganismos, mantendo assim a qualidade de qualquer alimento. Mas, será que nenhum microrganismo consegue verdadeiramente crescer na presença de sal ou até no próprio sal?
Existem “Super-Microrganismos”, designados halófilos, que conseguem habitar diferentes ambientes salinos do nosso planeta, tais como o Mar Morto, as salinas de Aveiro e Rio Maior e até mesmo as próprias pedras de sal. Todos estes ambientes apresentam condições de salinidade extrema, cerca de 10 vezes superior ao nível de sal presente na água do mar (3,5 % em massa). Em laboratório, podem utilizar-se meios de cultura ricos em nutrientes que permitem isolar os microrganismos que crescem sob estas condições extremas. Para além disso, existem ainda meios de cultura seletivos que permitem apenas o crescimento de microrganismos com características específicas que os diferenciam de outros microrganismos.
A fim de garantirem a sua sobrevivência, os “Super-Microrganismos” provenientes de ambientes hipersalinos desenvolvem mecanismos de resposta diferenciados que estimulam a produção de novas e robustas “Super-Moléculas” com elevado potencial biotecnológico, tais como pigmentos, antibióticos, enzimas ou biossurfactantes. Estes “Super-Microganismos” e “Super-Moléculas” podem encontrar aplicação em diversos setores industriais, contribuindo assim para a implementação de uma economia mais sustentável e amiga do ambiente.

Autoria

Conceção da ideia: Joana S. Gomes, Joana Sousa, Sara C. Silvério e Lígia R. Rodrigues

Execução gráfica e composição do texto: Joana S. Gomes, Joana Sousa, Sara C. Silvério

Revisão Científica: Lígia R. Rodrigues

Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho

Ficha técnica

Todos os elementos gráficos utilizados foram obtidos na coleção livre http://www.flaticon.com, sendo de livre acesso para publicações sem fins lucrativos. Resumo Gráfico foi elaborado com o software Affinity Designer 1.10.5.

Editado por Ana C. Sampaio, Cristina Pintado e Teresa Conceição.

Este foi o trabalho vencedor da 4ª edição do concurso “Comunicação de Ciência em Microbiologia”, na categoria “Geral”

Deixe um comentário