A bactéria Neisseria gonorrhoeae associada à gonorreia, uma infeção humana sexualmente transmissível, tem demonstrado uma capacidade extraordinária de adquirir resistência a todas as classes de antibióticos introduzidos historicamente para o tratamento desta infeção, tendo-se tornado numa “super-bactéria” e, consequentemente, num problema global para a Saúde Pública.
Neisseria gonorrhoeae é a bactéria patogénica para o humano que causa a infeção sexualmente transmissível gonorreia, constituindo um problema de saúde publica. O último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) reporta mais de 87 milhões de novos casos mundialmente. Sem vacina, o controlo da gonorreia exige medidas preventivas e tratamento eficaz com antibióticos, assim como vigilância epidemiológica. No entanto, ao longo dos últimos cem anos, esta bactéria tem demonstrado uma capacidade extraordinária de adquirir resistência a múltiplas classes de antibióticos introduzidos historicamente para o tratamento da gonorreia. Entre eles estão sulfonamidas, penicilinas, tetraciclinas, espectinomicina, fluroquinolonas (ciprofloxacina), macrólidos (azitromicina) e cefalosporinas de terceira geração (cefixima e ceftriaxona). Durante as últimas duas décadas, têm-se reportado inclusivamente falências terapêuticas associadas aos últimos antimicrobianos introduzidos para o tratamento da gonorreia. Com as últimas “linhas de defesa” aparentemente a falharem, e o receio de que a N. gonorrhoeae se torne intratável, atingindo o estado de “super-bactéria”, a OMS e os Centros de Prevenção e Controlo de Doenças Americano e Europeu (CDC e ECDC) ativaram planos de ação em 2012 para aumentar os esforços de monitorização dos profissionais de Saúde para a emergência de estirpes resistentes e de falências terapêuticas. Atualmente, o tratamento recomendado para a gonorreia está assente numa terapia dupla que recorre a um macrólido (azitromicina) e a uma cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona).
Autoria
Conceção, execução gráfica e composição do texto: Miguel Pinto
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge
Ficha técnica
As ilustrações do trabalho foram feitas manualmente, e a sua composição e coloração foram
posteriormente efetuadas no software paint.net.
Editado por Carla Novais, Eva Pinho e Sofia Oliveira.
Este trabalho recebeu uma menção honrosa na 5ª edição do concurso “Comunicação de Ciência em Microbiologia”, na categoria “Geral”


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