Mamites em bovinos causadas por Staphylococcus aureus

A mamite é uma das doenças mais comuns em vacas leiteiras, caracterizada por uma reação inflamatória na glândula mamária causada por traumas físicos ou por infeções por microrganismos patogénicos, tais como Staphylococcus aureus, que leva à diminuição da produção de leite e, em casos mais severos, ao abate.


Staphylococcus aureus, uma bactéria Gram positiva, é capaz de penetrar no canal do teto e propagar-se na glândula mamária provocando inflamação local e o desenvolvimento de mamite. Tendo em conta os sinais clínicos, existem dois tipos de mamites associadas a Staphylococcus aureus: a mamite subclínica, que geralmente não apresenta sinais clínicos, e a mamite clínica que se deteta pela observação do leite e úbere, apresentando-se este último avermelhado, com edema, aumento de temperatura ou necrose de tecidos. Apesar de na mamite subclínica o leite e a glândula mamária apresentarem uma aparência normal, a realização de um teste californiano de mamites (>400 000 células somáticas /ml) e a utilização de tiras indicadoras de pH permitem a sua deteção. O isolamento de Staphylococcus aureus pode ser feito nos meios Mannitol Salt Agar e CHROMagar™ Staph aureus, entre outros, sendo a identificação efetuada por testes bioquímicos (catalase, coagulase, DNase, sistema API Staph® e Vitek®) ou por análise do DNA recorrendo à técnica de Polymerase Chain Reaction (PCR). Esta doença apresenta uma baixa eficácia de tratamento, devido à prescrição de antimicrobianos inadequados e/ou à presença de estirpes resistentes aos mesmos. A prevenção de mamites consiste em minimizar a exposição do canal de teto a microrganismos, principalmente através do bom maneio durante as ordenhas e da vacinação durante o período seco, embora pouco utilizado devido ao seu custo. As mamites são associadas a perdas económicas, resultantes de quebras da produção de leite, custos com o diagnóstico, tratamento e serviço veterinário. Para além disso, esta doença representa um risco para a saúde humana pela ingestão de leite contaminado não pasteurizado ou pela sua utilização na produção de queijos fabricados com leite cru.

Autoria

Conceção da ideia e composição do texto: Andreia Denise, Ariana Ferreira, Inês Reis, Mariana Cerveira

Execucão gráfica: Mariana Cerveira

Revisão científica: Carla Miranda

Instituto Universitário Ciências da Saúde (IUCS), Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU)

Ficha técnica

Os desenhos apresentados foram criados de forma original através do software “Adobe Fresco” https://www.adobe.com/pt/products/fresco.html e datam de outubro de 2023.

Editado por Cristina Pintado, Cláudia Serra e Marta Laranjo.

Deixe um comentário