A sequenciação total do genoma transformou o diagnóstico da tuberculose, sendo agora possível identificar muito rapidamente as resistências aos antibacilares de 1ª e 2ª linha em estirpes de Mycobacterium tuberculosis, viabilizando tratamentos personalizados (aumentando o seu sucesso), e possibilitando ainda ações preventivas de Saúde Pública.
A tuberculose (TB) é a principal causa de morte por doença infeciosa no mundo, representando um enorme desafio para a saúde pública global. Apesar de décadas de esforços para controlar a doença, milhões de novos casos surgem anualmente, com muitas situações ainda por diagnosticar, particularmente em regiões com recursos limitados. Causada por bactérias pertencentes ao complexo Mycobacterium tuberculosis, a TB afeta sobretudo os pulmões, e tem como um dos maiores desafios a longa duração do tratamento. Os doentes precisam tomar múltiplos antibióticos por, pelo menos, seis meses, com regimes que podem prolongar-se por dois anos em casos mais graves. Este tratamento extenso leva frequentemente ao abandono, o que contribui para o aparecimento de estirpes resistentes, resultando em formas mais graves da doença, como a TB multirresistente (TB-MR), em que a bactéria é resistente a fármacos de primeira linha (pelo menos, isoniazida e rifampicina), e a TB extensivamente resistente (TB-XR), em que a bactéria apresenta resistência adicional a antibacilares de segunda linha. Estas formas tornam o tratamento mais complexo, dispendioso e com menores taxas de sucesso. As metodologias baseadas em sequenciação total do genoma (STG) transformaram o diagnóstico da TB. Usando um catálogo extenso de marcadores genéticos (compilado e disponibilizado pela Organização Mundial de Saúde), é agora possível identificar rapidamente as resistências aos antibacilares de 1ª e 2ª linha, viabilizando tratamentos personalizados e aumentando a probabilidade de sucesso. Para além disso, a STG é essencial para rastrear cadeias de transmissão e identificar surtos, possibilitando ações preventivas por parte das autoridades de saúde pública..
Autoria
Conceção da ideia e Execução Gráfica: Miguel Pinto
Composição do texto: Miguel Pinto e Rita Macedo
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge
Ficha técnica
O planeamento, design, desenho das ilustrações, coloração e montagem final foram feitas no
software Krita versão 5.2.2. Todas as ilustrações e colorações foram feitas manualmente diretamente
no Krita, recorrendo a uma mesa digitalizadora One da Wacom.
Editado por Ângela França e Manuela Oliveira.


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