Transplantes de Microbiota Fecal (FMT): E se fezes fosse a solução?

O transplante de microbiota fecal (FMT) consiste na transferência de fezes de um dador saudável para o intestino de um recetor com o objetivo de restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal e tratar condições relacionadas a disbioses, sendo especialmente eficaz contra infeções por Clostridium difficile.

O transplante de microbiota fecal (TMF) é um procedimento em que matéria fecal de um dador é administrada no trato intestinal de um recetor. O termo “microbiota” refere-se aos microrganismos que vivem dentro ou no corpo humano, sendo que a diversidade de espécies no intestino humano pode ser um indicador de saúde. Desequilíbrios na microbiota estão associados a várias doenças infeciosas, autoimunes e a condições como a obesidade. Sendo assim, o TMF pode ser usado como um tratamento destas disbioses, uma vez que leva à alteração da composição microbiana intestinal do recetor. O processo inicia-se com a seleção de um dador saudável, sem histórico de doenças autoimunes, metabólicas, malignas ou presença de agentes infeciosos. As suas fezes são misturadas com uma solução salina e filtradas, podendo então ser administradas por diversos métodos, como sondas (nasogástrica ou nasojejunal, por exemplo), colonoscopia, enema de retenção, ou via cápsulas orais. O TMF é comummente usado em infeções graves por Clostridioides difficile, em que se apresenta extremamente eficaz. Esta bactéria é parte da microbiota intestinal normal. No entanto, após uso de antibióticos ou outras infeções, pode crescer descontroladamente, produzindo uma toxina que pode tornar-se letal. A taxa de sucesso do TMF é de 87-90%, comparativamente aos 31% do tratamento com antibióticos. O TMF é um procedimento geralmente seguro, sendo que a maioria dos efeitos secundários são transientes e conscritos ao intestino (inchaço, prisão de ventre, etc). No entanto, existe também o risco de infeção com organismos patogénicos provenientes do dador. Finalmente, pode haver riscos severos, como sangramentos, rasgos ou inflamação do intestino que podem ser diminuídos utilizando métodos menos invasivos, como enema ou cápsulas.

Autoria

Conceção da ideia e texto: Miguel de Sousa

Execução Gráfica: Clara Luz e Miguel Pinto

(os autores não indicaram qualquer afiliação institucional)

Ficha técnica

O trabalho foi construído em suporte digital, utilizando o software Canva Pro, disponível em https://www.canva.com. Todos os elementos gráficos utilizados integram a biblioteca de elementos gráficos do Canva
Pro, que inclui imagens, ícones e fontes, sob uma licença de uso comercial e pessoal.

Editado por Ângela França e Teresa Nogueira.

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