O eixo microbioma-intestino-cérebro e a saúde mental

Investigações recentes destacam que alterações na composição das bactérias intestinais podem exercer influência significativa sobre o funcionamento do cérebro e, consequentemente, sobre a saúde mental; dessa forma, uma alimentação equilibrada e o uso de probióticos surgem como abordagens promissoras para favorecer o bem-estar psíquico.

Os transtornos mentais constituem um desafio crescente para a saúde pública contemporânea. A depressão, a ansiedade e os transtornos bipolares estão entre as principais causas de incapacidade, exercendo um impacto profundo sobre a qualidade de vida e o funcionamento psicossocial dos indivíduos. Estudos recentes têm vindo a explorar a relação entre o microbioma intestinal e a saúde mental, sugerindo que a microbiota gastrointestinal desempenha um papel importante na regulação das funções cerebrais e comportamentos. Evidências científicas indicam que indivíduos com perturbações psiquiátricas ou alterações do humor, tais como depressão, ansiedade e esquizofrenia, apresentam alterações significativas na composição do microbioma intestinal. Acresce ainda que doentes com síndrome do intestino irritável ou patologias inflamatórias intestinais manifestam frequentemente condições neurológicas ou neuropsiquiátricas associadas. Esta descoberta levou ao surgimento do conceito do “eixo microbioma-intestino-cérebro”, uma área de investigação que tem ganho cada vez mais destaque. Compreender, em profundidade o eixo microbioma-intestino–cérebro é fundamental para perceber como a disbiose (desequilíbrio) do microbioma poderá contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de patologias mentais. Neste contexto, a utilização de estratégias dietéticas ou terapêuticas envolvendo prebióticos (substâncias que favorecem as bactérias benéficas do intestino) e/ou probióticos (microrganismos vivos com efeitos positivos para a saúde) assume relevância crescente. Tais estratégias possuem o potencial de reequilibrar a microbiota intestinal, fornecendo substratos essenciais ao crescimento de comunidades bacterianas benéficas modulando desse modo positivamente os circuitos neuroimunológicos e neuroendócrinos envolvidos na saúde mental.

Autoria

Conceção da ideia: Maria de Fátima Baltazar e Maria Manuel Azevedo

Execução gráfica e revisão cientítica: Maria de Fátima Baltazar

Composição do texto: Maria Manuel Azevedo

Life and Health Sciences Research Institute (ICVS), University of Minho, Campus of Gualtar, Braga | ICVS/3B’s—PT Government Associate Laboratory, Braga | Agrupamento de Escolas D. Maria II, V.N. Famalicão

Ficha técnica

O trabalho foi construído em suporte digital, utilizando o software Microsoft Word e Biorender.com. Todos os elementos gráficos utilizados integram a biblioteca de elementos gráficos desses softwares, que inclui imagens, ícones e fontes, sob uma licença de uso comercial e pessoal.

Editado por Andreia Rebelo e Teresa Nogueira.

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